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sábado, 23 de junho de 2012

O mundo nas costas

Ela era uma garota anônima qualquer, não sei se enquadrava em mulher ou menina. talvez, menina-mulher.
A vida exigia dela ser mulher, mas ela tantas vezes queria ser menina. Ela era metal sob o sopro do dragão, mas era tão sem graça, tão sem sal e tão morta aos olhos dos outros...
Era tão obediente que não questionava nada, "se era assim, é porque tinha que ser". Ela não sabia o que estava fazendo, mas fazia. Ninguém apostava nela, às vezes, nem ela mesma.
Não era do tipo que chamava atenção, não era do tipo que despertava a simpatia dos outros, na verdade, nunca foi do tipo de garota que se enquadra em classificações.
Todo dia era uma luta. Mesmo invisível aos olhos de muitos, ela tinha que lutar. E só ela sabia como eram difíceis aquelas suas lutas diárias.
Em uma melancólica madrugada, aquela doce e amarga garota, que abaixava a cabeça para tudo, se revoltara. Logo aquela menina (ou mulher?) em quem ninguém apostabva suas fichas, se rebelou.
Nunca foi tão decidida.
Tomou o tal remédio.
Amargo.
E ao som de Legião Urbana,
uma última música.
Descansou.

Era menina.
Ela só tinha 14.
Agora, era Clarisse também.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sem definição

Sem palavras ou frases feitas para descrever essa agonia aqui dentro. Nem Caio, nem Clarisse, Martha, Tati ou Chico Buarque conseguiram falar por mim dessa vez. 
Você entende o que isso significa? 

As coisas aqui dentro estão estranhas. Nem machucadas nem curadas. Estão simplesmente anestesiadas. Não estou sentindo nada. E não, isto não é bom. É horrível sentir um nó na garganta sem saber o porquê. 
Estou tão perdida, que não consegui encontrar um poeta para parafrasear, e não consigo nem ao menos me encontrar em minhas próprias palavras. 
Não consigo nem ao menos dar um início, meio e fim ao meus pensamentos...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pequena Esperança


Quando uma pessoa se agarra a algo para manter-se viva, é porque está morrendo. Ela se agarra ao pequeno galho cravado no penhasco, quando está caindo, tentando salvar sua própia vida. O galho pode se quebrar a qualquer momento. É perigoso. Muito perigoso. Mas ainda assim, nos agarramos. Porque perigoso ou não, é a última esperança. É o que nos dá algum tempo a mais, ou nos sustenta até alguém vir nos salvar. Se pode culpar alguém que se agarra a um galho? Se pode culpar alguém que está tentando ficar vivo? Mesmo que tenha desejado o contrário algumas vezes... Não tento justificar. É perigoso. Mas é o que mantém alguns vivos. Às vezes é só o que têm.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais doçura


Das cartas que não mandei, e guardo-as todas bem guardadas, naquela velha caixa no fundo da gaveta. Das palavras que não disse, e que até hoje ecoam no fundo do meu ser, esperando um dia a liberdade. Dos sonhos que sonhei, e ainda não vivi. Dos que vivi e guardo bem guardado. De tudo que fui e do que não fui. De tudo que vivi, de todos que conheci. Tenho saudades, tenho apreço, tenho amor. Tenho tanta coisa guardada aqui em mim. Mas são tão poucos os que tem a coragem, vontade e paciência para conhecê-las, se surpreenderem. E continuo aqui, com tudo na mala, esperando pessoas doces que tenham a ousadia de me fazer sentir querida e especial nesse mundo cinza.

Sentimentos São Pássaros Em Voo


Mesmo sem razão ou motivo convincente, as lágrimas insistem em cair. Molham o papel, afogam as palavras e levam a tinta, junto com os últimos resquícios de dor que restavam. Escorrem pelo rosto, ao encontro dos dedos que as enxugam. Tāo quentes, que parecem querer dizer “você nāo está só doce garota”, mas na verdade, estava.
As lágrimas foram derramadas após o fato bobo ocorrido, mas bem sabia que não era esse o real motivo delas. Qual era afinal?
A verdade, é que não possuía resposta para tal pergunta. Então tratou de cessar as lágrimas.
O celular vibrou na estante. “Eu te amo, muito”. O sorriso tomou o lugar das lágrimas. Esse, havia motivo.
 
Agora, não era mais tão sozinha.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Bem, fiquei muito feliz com os ultimos comentarios e elogios! Estava pensando em desativar o blog, mas agora estou até motivada a mantê-lo! Muito obrigada por acompanharem e me permitirem partilhar com vocês um pouco de mim.
Obrigada de verdade!

Ps: ando meio inconstante aqui, porque estou estudando muito, rs. Mas em breve postarei textos novos (:

sábado, 3 de março de 2012

Passado deixado para trás

- adaptado

E apesar de ser a minha vontade, não havia porque chorar. Não poderia chorar pela perda de algo que não tive, assim como eu não poderia sentir falta de algo que nunca esteve presente. Pois se olhássemos com maior cuidado, entenderíamos que o erro não estava em você ter esquecido e sim em mim em lembrar tanto. Não houve perdas, não houve mudanças. Se houve alguma mudança, foi apenas a constatação de que estávamos sós, ainda que demorássemos a perceber, sempre estivemos todos sós.

Mas somos melhores agora.
Não que não fossemos bons juntos, mas pare e pense comigo. Somos melhores agora.

É claro que eu sinto saudades, mas sinto falta de tantas outras coisas na vida que não consigo suprir. Porque por mais que nos vejamos algumas vezes e que você me conte em um dia o resumo de um ano, essa saudade não morre. A diferença é que hoje eu sei que sentir saudades é diferente de querer de volta. Eu sinto falta, mas não quero mais. Afinal, não somos mais os mesmo.

E sou grato por isso. Porque de fato eu nunca teria forças para me desprender, mas depois que você soltou minha mão, tive impulso pra sair correndo sozinho. É claro que eu queria crescer junto contigo e tirar do papel todos nossos sonhos, mas te perder me fez criar asas incríveis que eu só conseguiria criar estando longe de você. Você fez a parte mais difícil. Abandonar é sempre mais difícil que ser abandonado. Afinal, em mim nunca vai pairar o remorso do que poderíamos ter sido, você precisou de coragem e eu só precisei aceitar. Mesmo tendo doído tanto.

E logo eu que chorava com qualquer comercial de margarina, hoje não consigo sentir nem pena de mim. Antes de você minha dificuldade era com pontos finais, novos rumos, virar páginas, pois eu simplesmente não aceitava que minha vida se encaminhasse diferente do que planejávamos, mas depois que você se foi eu tenho que constantemente controlar minha vontade incomum de sempre ir embora.

Não apaguei memórias, não arrependi do passado, não criei rancor, não deixei feridas abertas, não esqueci.
Não é que hoje eu te ame menos, é que assim como você, hoje eu me amo mais.
Como eu disse no começo de tudo.Somos melhores agora.
Quero receber cartas, à mão ou virtual ;(

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tento Achar Palavras pro Meu Sentimento


O texto é confuso, as palavras se misturam. Não sei se devo escrever no singular, ou plural. Amigos, pra sempre. Essa vinda e ida de pessoas...

Se deixo você ir, se não te peço pra ficar.
Se me escondo, se me esquivo,
Se fico longe ou se fujo.
Desculpa ser assim.
Desculpa esse meu jeito torto de ser,
E de amar.
Esse orgulho que às vezes toma conta de mim.

Às vezes o vento sopra e te leva, às vezes te traz de volta. Não sei quanto tempo vai ficar, não sei se me ama, ou se amanhã mesmo alguém estará no meu lugar. Eu não tenho muito a oferecer, nem sou a melhor pessoa pra lhe fazer bem, mas faço e farei de tudo sempre, pra lhe ver bem e tentar lhe entender. E não pedirei nunca que mude. Esse seu jeito meio tordo e confuso é encantador. Você é uma pessoa encantadora.. E estarei sempre aqui, seja qual for o motivo, quando precisar, e até mesmo quando não precisar. 'De vez em quando suja, entediada, agressiva,triste,calada e chata. Mas aqui.'

Não quero uma proximidade distante. Não quero me perder de ninguém. Quero novas pessoas. Mas mais do que querer novas, eu preciso das velhas pessoas, que me fizeram e me fazem tão bem, aqui comigo. Não peço nada, só quero que estejam aqui, e não esperem nada em troca, que não me vejam como opção, e nem me preocurem apenas quando precisarem. Eu quero pessoas sinceras, verdadeiras, intensas. Quero amor, quero aproveitar tudo, com pessoas ao meu lado pra compartilhar. Quero mais simplicidade, mais alegria, menos dor, mais sorrisos.

Quero e mais do que querer, preciso, que este ano, as coisas, as pessoas, e até mesmo eu, sejam diferentes. Por que já é hora de aproveitar as coisas ao máximo. Já é hora de ter certeza em minhas respostas quando me perguntarem sobre amigos verdadeiros, sobre solidão, sobre pra sempre, sobre felicidade. Já é hora, de eu ter certeza que tenho com quem contar, e que nada do que eu disser e confessar será usado contra mim mais tarde.Esse ano, é uma nova chance de ser feliz, de viver intensamente. Só depende da gente.

Pedaço de mim



A verdade, é que deu saudade. Deu uma saudade insuportável de você. De seu cheiro, de seu riso, seu sorriso. De seu jeito engraçado e doce de ser, de suas caras e boca, de suas graças, de seu cabelo macio, de seus braços, seus abraços, tão apertados, protetores, aconchegantes. De quando chegava em silêncio e me abraçava sem motivos.

Não ligo. 
Não mando mensagem. 
Falta a coragem,
Não vontade.

Mas a verdade é que adoro ter você por perto, me faz um bem enorme, me traz uma alegria gigantesca. Mas tenho que me contentar em te ver apenas duas vezes por ano, e com alguns encontros inesperados, quando o destino dá um forcinha. 
É isso, deu saudade.

É só isso.
'To' com saudade de você.
E de seu abraço.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

(Re)começar

"Hora de recomeçar, de abrir novos sorrisos para novas pessoas."

Escolha feita.
Ninguém disse que será fácil menina.
Está mesmo disposta a entrar nesse barco?
É hora de novos sorrisos, novos lugares, novas pessoas. É hora de ser nova. Hora de recomeçar menina. As coisas vão ser diferentes, talvez se assuste um pouco com o novo. Mas o novo é bom, você verá. Fique firme, aproveite cada coisa. Esse ano é seu menina. Não deixa que nada nem ninguém o estregue. Deus o reservou pra ti, tenho certeza. Então, trate de respirar fundo e mergulhar de cabeça. Se prepare pra tudo! Decepções podem aparecer, mas você pode fazer com que as coisas mesmo que sejam difíceis, sejam melhores que o ano interior. Só depende de você. E sei que vai ser diferente dessa vez. Vai bater uma saudade enorme de tudo que você já viveu. Se prepare pra ser forte, e suportá-la. Vai dar tudo certo. Lembre-se de ter fé.
Estou torcendo por nós.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Hoje Joguei Tanta Coisa Fora

"Por isso eu me entrego, pronta pro mundo acabar"

 Já foram alguns dias, algumas noites. O tempo está passando, na medida exata pra se viver cada coisa entende menino? Mirei o céu, tão belamente enfeitado pelos fogos que explodiam,formando cores e formas sem sentindo, assim como eu. A chuva caía fina, me lavando, me levando, tirando todo o passado, tudo o que passou mas insistia em deixar suas marcas. A chuva veio como cicatrizante, mas além de transformar feridas em marcas ela levou consigo todas as cicatrizes. Agora estou assim, limpinha, sem marcas, sem feridas, pronta pra encarar a vida de frente, pronta pra viver e não apenas continuar existindo, pronta pra encarar tudo, e não me permitir entristecer por nada nem ninguém, pronta para tudo o que vier pela frente nesse novo ano que está se iniciando. Só não estou pronta para passar mais um ano sozinha, entende menino!? - Sei que não és mais menino, mas essa é só mais uma forma lírica e carinhosa de lhe tratar, você bem sabe desse meu jeito. -

E sabe menino!? Não sei porque, meu coração se encharcou de esperança de uma forma tão segura, que chega a me dar um pouco de medo. Não é expectativa, é diferente dessa vez, é apenas um pensamento positivo de que as coisas estão começando a mudar, e que vão ser diferentes a partir de agora.

O que foi que mudou menino!? Em que espaço de tempo isso aconteceu, que nem me dei conta? Será que fui eu? Será que isso é apenas euforia momentanêa de ano novo? Ainda não encontrei resposta para nenhuma das minhas perguntas, mas isso não tem me atormentado não. Está vendo menino? As coisas estão diferentes. Em outra época essa perguntas sem respostas me agonizariam, mas hoje não.

Depois dos fogos, dos brindes, das metas, das orações, dos risos. Me veio esse alguém que ainda não sei quem será,sabe menino!? É estranho, eu sou estranha, convenhamos. Mas a diferença é que agora essa incógnita não me pertuba entende!? Talvez você não entenda, e nem venha a entender um dia, tudo bem, talvez ninguém nunca entenda, mas por mim não tem problema, as coisa estão se endireitando, estão caminhando para o caminho certo, eu acho, então tudo bem, que ninguém entenda.

Sorri aliviada, pelo fim daquela tormenta toda. Aí me perguntei como tudo aquilo passou tão rápido, em uma noite. A verdade é que fazia tempo que esse processo de 'esvaziamento' e 'organização' racionalmente falando havia começado. Naquela noite, ele apenas tinha sido concluído.

Estendi a mão.
Depois suspirei, fundo, forte,gelado.
Aliviada.
E abandonei o passado.
Pronta para o presente e futuro,
Junto contigo menino.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dias de Dúvidas


 Nada lhe acalmava. A confusão ali dentro permanecia a mesma. Sentou na mesa de canto do café, sozinha. Cerca de uma uma hora; Pensou; Levantou; Saiu; Caminhou um pouco sob a chuva, sozinha, pela a cidade tão deserta naquele dia nublado. Sentou-se ali naquele pátio, sozinha.

Foi tudo bem assim, bem confuso, bem desordenado, bem sozinha, bem estranho. Era terça-feira. Aqueles dias tinham sido assim, não sei... Tenho perdido as palavras ao tentar definir ou descrever o que estava acontecendo, e o que ainda está acontecendo quando me pego sozinha pensando nas coisas. Da mesma forma que as vezes me sinto meio perdida...

Não sei, tem algo preso aqui. As palavras não tem sido suficientes, as vezes chegam a me faltar. Não sei, é isso, não sei.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Hoje só Quero que Tudo Termine Bem


Chuvas de Março, vindas em Novembro, me levem daqui. Pra onde devo ir? Com quem devo viver? E esse cansaço? E esse desânimo? Levem-os daqui, pra longe de mim. Traga a alegria de Fevereiro, alegria carnavalesca, e tire de mim esse cansaço de um ano inteiro nas costas, tão cheio, tão pesado. Que venha a paz Dezembro, as festas em familia, um tempo na correria, longe de tudo e todos, longe da rotina, longe dos motivos que tanto fazem mal. Estou te esperando ansiosamente Dezembro. E que venha também a calma e euforia de Janeiro, sabendo que é hora de recomeçar. Com aquela pequena esperança de que o próximo ano faça com que este seja esquecido, e que as coisas sejam diferentes...
Me leve daqui desse lugar, desse tempo, desse meu momento sensível que não quer passar, dessa coisa sem definição, aonde eu possa me reencontrar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Gelo e Fogo, ao Mesmo Tempo

"Aparentemente durona, mas é só fachada. Sempre fui sentimental" 
mas ninguém sabe

Amargo(a), gélido(a), vazio(a). Não sei se era o dia, ou eu, mas estava assim. E lá estava eu jogada em um canto, esquecida, como roupa velha no fundo da gaveta. Com o olhar fixo em lugar nenhum, perdida entre as dúvidas e tremores, que o frio causava. Perdida entre sentimentos, emoções, idas e vindas. Era hora, já passava da hora de começar a filtrar as emoções e desocupar lugares, era hora de organizar as coisas ali dentro, como se faz no quarto em tarde de domingo. Penso sempre em desistir das pessoas, de você, de mim, às vezes canso dessa constante "batalha" mas aí vem o amor, vem Deus, vem algo que me faz querer continuar, que me revigora. Se tornou um ciclo vicioso, que não se quebra. Pensando melhor, deixo essa faxina para a tarde de domingo, hoje ainda é quarta, não tenho tempo pra isso agora, deixa o fim de semana chegar.

Sem muita definição ou ceterza do que acontecia e sentia, ergui a cabeça e continuei. Acho que são sintomas de carência. Tenho necessitado excessivamente de abraços apertados e demorados, tenho necessitado me sentir cuidada, tenho necessitado de um colo, que ninguém dá. Me julgam forte demais. A garota que cuida, também precisa ser cuidada às vezes. Mas não me queixo de cuidar das pessoas. É o que mais me faz bem. Só queria ser cuidada de vez em quando, também.

É só cansaço. Domingo me revigoro. Só preciso organizar as coisas aqui dentro, ter longas horas de sono,  abraços demorados e apertados, quem sabe alguém me dê.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nostálgico Café Amargo


A lembrança ocupava cada canto da casa, e preenchia cada pequeno espaço do quarto, e dos móveis. Às vezes se desprendia de si, e demorava se encontrar novamente. Sentia um aperto no peito, à procura de uma forma de reviver certas lembranças, mas sobretudo de lhe encontrar no meio de tantas lembranças. Se perdia em um canto qualquer da casa, às vezes na sala, fingindo assistir televisão, no quarto, se dizendo estudiosa, ou no banheiro, sob a gélida água do chuveiro. Se perdia, acompanhada pelas lembranças, que lhe fazia querer ficar sob o cobertor durante o dia, a semana e o mês inteiro, apenas com suas lembranças e seu amargo café com gosto de nostalgia.

Das Coisas que Falei


Eu lhe via com os olhos tristes, sem ânimo, melâncólica, de cabeça baixa. Lhe via sofrendo por dentro e tentando esconder as lágrimas que insistiam em encontrar seus trêmulos dedos. As lágrimas caíam incessantemente, a alma tentava colocar toda aquela dor para fora. Seus pequenos olhos umidecidos pela dor, seu coração palpitava tristemente, espalhando aquele sofrimento por todo o corpo.
Lhe abracei forte, tentando lhe tirar toda aquela dor. Eu estava realmente disposta a sofrer por aquele doce anjo do sorriso iluminador. "Sei que nada é muito consolador nesse momento. Mas as coisas vão ficar bem, não sei em que momento, mas ficaram. E eu estarei aqui, para qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Eu te amo" E continuei abraçando-lhe forte, na esperança de que aquela dor passasse. Suas lágrimas continuavam a cair, e tomaram um ritmo acelerado enquanto dizia algo.
Lhe escutei, e abracei-lhe ainda mais forte. Arranquei-lhe um ou dois sorrisos, enxuguei algumas poucas lágrimas que ainda caíam. Mas no fundo eu sabia que a dor ainda permanecia ali. 
"Desculpa-me meu anjo, por não ser tudo aquilo que precisas. Desculpa por falhar. Eu vou estar aqui, sempre."

domingo, 23 de outubro de 2011

Terças-feiras de Chuva

"Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas "

"Mais um dia", foi esse o pensamento da doce garota amarga ao levantar da cama naquele dia nublado, fato que a deixava um pouco mais feliz.

Fez tudo com sempre, mesmo detestando isso que chamam de rotina. Era um dia normal, como qualquer outro que tem vivido nesses últimos tempos. Mas o fato de ser terça-feira nublada a arrancava um pouco de alegria. Eis que chega a tarde. Tarde de terça-feira, céu nublado, para
ela o momento ideal para ficar em um canto qualquer da cidade, fazendo seja lá o que for. E assim o fez. Sentou em um banco qualquer de praça, sob as nuvens escuras no céu, com seus fones, fiéis companheiros.

Mas se arrependeu por ter ido, por ter sentado, por ter ficado.
Ficar sozinha, em um lugar muito calmo a fazia pensar demais, a fazia perde-se no mar dos pensamentos e sentimentos que o silêncio despertava. A correria e a falta de tempo sempre se encarrega de evitar tais coisas. Mas o silêncio naquele momento era demais.

E voltou à tona tudo aquilo que estava sempre tão bem guardado. Ninguém a conhece muito bem, ninguém sabe o que se passa com ela, ou dentro dela, nem percebem como as vezes ela gostaria de carinho, nem desconfiam que por trás dessa pose de garota auto-suficiente existe uma garota às vezes carente e frágil. A doce garota tem tentado ver o lado bom de tudo, e finge estar sendo fácil - porque ainda há pessoas que precisam de cuidado e carinho, os quais está disposta sempre a dar, a quem precise - enquanto por dentro as coisas continuam instáveis o bastante para a confundir. Mas olha para trás e percebe o quanto foi forte e o quanto ainda pode suportar.

O barulho - agora perceptivél - dos carros a desperta dos devaneios, que sorri ao ver um sorriso encantador de uma criança sorrindo pra si.

Antes de ir embora dali pensou mais um pouco, adentrou-se novamente no oceano de seus pensamentos. Alguns acham que a conhece perfeitamente, leve engano, outros não a querem conhecer, talvez não queiram mais problemas, ou não estejam interessados o bastante. A verdade é que de todo mundo, ninguém sabe tudo, sabem quase nada. Mas para ela, melhor assim. Tem uma teoria de que, segundo ela é ruim que saibam tudo sobre você. Se torna tudo tão previsivél e pouco encantador. Não é bom deixar que saibam tudo, talvez seja esse o motivo de ser meio reservada quando o assunto são seus sentimentos. E ela vai continuar assim, vendo o lado bom de tudo, vivendo as tristezas, e alegrias, essas principalmente, vai continuar tendo força e distribuindo esse pouco que tem para aqueles que tem precisado. E vai continuando, e vendo onde tudo isso ainda vai dar.

Despertou novamente dos pensamentos, dessa vez com o cair da chuva. Tratou de abrir o guarda-chuva e partir dali. Com seu fone sempre ao ouvido, e o sorriso nos lábios, se deliciando com as gotas geladas da chuva.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Arco-íris em Dia de Chuva

  "Como a chuva só desmancha. Pensamento sem razão"

Vinha caminhando vagarosamente, subindo a rua - deserta, como sua alma - vinha em silêncio, mas trazia mil pensamentos consigo. Os fones, aos ouvidos, "Esconderijo - Ana Cañas". A cantora não é popular, a música não é muito conhecida, mas a letra era quase a sua biografia momentânea. Por dentro passavam aquelas coisas todas, que todos desconhecem. Algumas poucas gotas começaram a cair, quase com a intenção de lavá-la, curá-la, e assim ela quis que o fizesse, não abriu o guarda-chuva, deixou-se molhar o corpo, até a alma, mas não o coração, esse ela o guardou. Não tinha motivo claro, ou talvez não desejasse ocupar seus pensamentos com isso. Só o guardou.
O corpo se revigorou, o coração não.

Encontrou o garoto do ônibus - longa história essa, outro dia talvez lhes conte - com o qual nunca havia trocado palavras, apenas olhares. O que para ela honestamente, valia mais. Deu um sorriso de canto de boca, tentando ser simpática, esboçar a alegria que não possuía naquele instante, e disfarçar as poucas lágrimas que por sorte se misturavam com a chuva fina que caía. Ele, porém, conseguiu claramente, perceber aquela aparente alegria, disfarçando a lágrima, e a acolheu sob seu guarda-chuva.  Perguntou-lhe, o tal motivo de sua tristeza. Em tom baixo e voz rouca, ela tentou desconversar. Ele insistiu. Ela não resistiu. Não queria resistir, não naquele momento.

E ficaram os dois, ali, sob a chuva, na rua deserta -com uma alma não mais tão deserta  assim -  de céu nublado, como se não houvesse nada além do velho guarda-chuva preto, desenterrado do baú, que os protegiam. E atraía um arco-íris no céu.

As Coisas Vem. As Coisas Vão. As Pesoas Também.


 Por que chegam, para simplesmente partirem, e deixarem um estrago incontável no outro?

Acordou bem cedo, para evitar despedidas. Colocou algumas poucas coisas em uma mala. Apenas o indispensável, só aquilo que não trazia lembrança, de nenhum tipo. Bebeu um pouco de café, olhou umas últimas fotos e cartas, derramou algumas lágrimas, mas logo se recompôs, chamou um táxi e partiu para o aeroporto. Assim, rápido.
Antes de entrar no mesmo, tratou de livrar-se do antigo número  de celular. Não queria de forma alguma ser encontrada. No aeroporto, revistaram sua mala, seu bolso, sua bolsa, mas esqueceram de perguntar o que   trazia no coração. Antes de entrar no avião, pensou, uma, duas, três vezes. Talvez não fosse a melhor opção, mas a mais sensata e benéfica para todos. Ela tinha seus motivos. E assim o fez, partiu sem deixar lembranças, nem recados. Com o coração na mão, e a coragem na mala. Nos olhos o medo e a dúvida de viver um vida nova.